quinta-feira, 16 de setembro de 2010

BATISMO COM FOGO

_“Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3.11, c/f Lc 3.16).

Batismo com fogo, ou batismo nos sofrimentos de Cristo. Não somente por amor a Cristo, mas, principalmente, participando ou como co-participantes dos sofrimentos de Cristo. Afirmo isto baseado no ensino dos apóstolos: 2Co 1.5-7.

Confesso que não vejo outra explicação para entender este tipo de sofrimento de Cristo, no qual nos tornamos co-participantes, senão como uma referência explícita, na prática de cada um de nós, ao Batismo com Fogo mencionado por Jesus. Batismo este que, como a própria palavra de origem grega (baptizo), significa mergulho, iniciação. Ora, isto não quer dizer, necessariamente, que o sofrimento do cristão se restrinja a esse batismo. Assim como o viver cristão tem seu reconhecimento oficial com o batismo físico, mas não pode parar aí, assim também no que diz respeito ao sofrimento, o batismo é só o começo.

O texto de Mateus e Lucas dizem que é o Senhor quem batiza com o Espírito Santo e com fogo. Não é algo que se possa fazer por vontade própria, humana. Não é auto medicação; não significa que o cristão deva sair por aí causando ou provocando o sofrimento a si próprio, e, muito menos nos outros, como que forçando uma experiência nesse sentido. Isto seria tentar a Deus, como o diabo sugeriu a Jesus lá no deserto.

Tanto o batismo com o Espírito Santo como o batismo com fogo é obra de Deus, efetuada pelo Senhor Jesus. Por outro lado, essa compreensão conforta-nos quando somos afligidos e bombardeados com toda sorte de sofrimentos. Somos fortalecidos na esperança que há em Cristo Jesus. Somos consolados, na certeza de que nada, absolutamente nada nos acontece por acaso, acidente, incidente, sorte, ou azar. Nada que acontece neste mundo e em todo o universo foge à soberana vontade e consentimento do Senhor. Nossas vidas estão de fato em Suas potentes mãos! Amém.

Pr. Vanderlei Faria
pastorvanderleifaria@yahoo.com.br

O MELHOR CONSELHO DE UM PAI

Um jovem recém casado estava sentado num sofá num dia quente e úmido, bebericando chá gelado durante uma visita à casa do seu pai.

Enquanto conversavam sobre a vida, o casamento, as responsabilidades, as obrigações e deveres da pessoa adulta, o pai remexia pensativamente os cubos de gelo no seu copo, quando lançou um olhar claro e sóbrio para seu filho, e disse: Nunca se esqueça de seus amigos! - aconselhou Serão mais importantes na medida em que você envelhecer.

Independentemente do quanto você ame sua família, os filhos que porventura venham a ter, você sempre precisará de amigos. Lembre-se de, ocasionalmente, ir a lugares com eles; divirta-se na companhia deles; telefone de vez em quando...
Que estranho conselho - pensou o jovem. Acabo de ingressar no mundo dos casados. Sou adulto. Com certeza minha esposa e minha família serão tudo o que necessito para dar sentido à minha vida! Contudo, ele seguiu o conselho de seu pai. Manteve contato com seus amigos e sempre procurava fazer novas amizades.

À medida em que os anos se passavam, ele foi compreendendo que seu pai sabia do que falava. À medida em que o tempo e a natureza realizavam suas mudanças e mistérios sobre o homem, os amigos sempre foram baluartes em sua vida.

Passados mais de 50 anos, eis o que o jovem aprendeu: O Tempo passa. A vida acontece. A distância separa... As crianças crescem. Os empregos vão e vêem. O amor se transforma em afeto. As pessoas não fazem o que deveriam fazer. O coração para sem avisar. Os pais morrem. Os colegas esquecem os favores. As carreiras terminam. Mas os verdadeiros amigos estão lá, não importa quanto tempo nem quantos quilômetros tenham afastado vocês.
Um AMIGO nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo por você, intervindo em seu favor e esperando você de braços abertos, abençoando sua vida!

Quando iniciamos esta aventura chamada VIDA, não sabemos das incríveis alegrias e tristezas que experimentaremos à frente, nem temos boa noção do quanto precisamos uns dos outros...
Mas, ao chegarmos ao fim da vida, já sabemos muito bem o quanto cada um foi importante para nós!Remeta este texto a todos os amigos que ajudam a dar sentido à sua vida...Eu já o fiz!

Dorival Teruel

AQUELE QUE CRÊ

A Bíblia constantemente enfatiza a necessidade da fé. Jesus, em João 6, ao ser questionado sobre qual a obra de Deus, respondeu: “a obra de Deus é esta: que CREIAIS naquele que Ele enviou”. Quando o carcereiro de Filipos perguntou a Paulo e Silas sobre o que fazer para ser salvo, a resposta foi: “CRÊ no Senhor Jesus...”. E por aí vai. Eu poderia usar esse boletim inteiro só fazendo citações bíblicas sobre a necessidade de crer, e, no final descobriria que precisaria de muitos outros para esgotar as citações. Mas minha intenção aqui é destacar algumas características daquele que crê. Apenas algumas, porque todas não há de caber.
Alguém escreveu que:

· Aquele que crê reconhece e confessa perante Deus que é um pecador, porque Deus declara que se dissermos que não temos pecado não há verdade em nós. (I João 1:8)
· Aquele que crê reconhece que tem merecido o justo castigo de Deus, porque a Bíblia diz que o salário do pecado é a morte.
· Aquele que crê recebe o testemunho da graça de Deus e aceita como certo que “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores” (1 Timóteo 1:15)
· Aquele que crê tem a certeza de que Jesus tomou sobre Si, na cruz, a culpabilidade dos seus pecados e os expiou em seu lugar.
· Aquele que crê sabe que a justiça divina está satisfeita, que a morte, para aquele que está em Cristo, está anulada, e que ele tem a vida eterna – “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida...” (1 João 5:11-12 RC)
· Aquele que crê MOSTRA A SUA FÉ PELA SUA CONDUTA; liga-se a Cristo e retira-se da iniquidade. Põe em Jesus toda a sua confiança para ser conduzido e guardado no caminho da fé, da fidelidade e da obediência à Sua Palavra.

Aquele que crê... mostra a sua fé pela sua conduta. Quero chamar a atenção para esse último item. A fé não é algo para guardarmos lá no fundo de nosso ser. A fé precisa ser materializada, a fé precisa ser externada. “Os cristãos, porém, que deveras crêem, pelas obras mostram a fé que têm...” diz a letra de um dos hinos de nosso Cantor Cristão. Tiago escreveu que a fé que não é externada, que não é demonstrada pelas obras, é morta.

Precisamos demonstrar a nossa fé. A fidelidade aos compromissos que temos com a igreja, agência do Reino de Deus ao qual pertencemos, é uma das maneiras de demonstrar a nossa fé. Mas principalmente em cada ato de nossa conduta diária podemos e devemos demonstrar a nossa fé, agindo em acordo com os preceitos da Bíblia, a Palavra de Deus, nossa única regra de fé e conduta.
Que Deus nos abençoe no sentido de nos ajudar nesse intento.

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

NÃO NOS AMEDRONTEMOS!

Nem sempre podemos alterar as circunstâncias, contudo, temos a garantia da proteção do Senhor a cada passo, em cada instante de nossa vida. Se nossa preocupação diz respeito às finanças, ao lucro ou prejuízo financeiro que estamos experimentando ou aguardando, também sobre isso Deus tem não só o controle, mas TUDO Lhe pertence.

_ “Farei abalar o céu, a terra, o mar e a terra seca; farei abalar todas as nações...” (Ag 2. 6, 7).
Ou seja, no momento oportuno, no tempo que o Senhor determinar, Ele há de mover o mundo para nos abençoar. Ele vai fazer com que alguém se lembre de nós, ou que alguma coisa extraordinária aconteça a nosso favor. Ele é o Senhor dos Exércitos, nunca nos esqueçamos disso! Ele cuida de nós, somos propriedade exclusiva do Senhor. Ele nos ama muito além do que podemos imaginar.

O fato de ficarmos tão fixados e preocupados com a nossa própria sorte tira a nossa capacidade tanto no sentido de desfrutar do que temos como de compartilhar com os que nada possuem. Bastaram os poucos peixes e pães, como foi suficiente o bastão que estava nas mãos de Moisés; o punhado que havia nas mãos da viúva pobre que hospedou Elias; e a disposição de fé dos coríntios para fazerem uso de seus dons espirituais... “Só é pouco o que temos enquanto está em nossas mãos e serve apenas aos nossos próprios interesses pessoais” ([1]). É quando percebemos nossa insignificância e a nossa carência da graça bendita.

Podemos nos lembrar do maná, no deserto. Cada dia o Senhor lhes dava apenas a provisão diária. Deus queria que eles dependessem dEle todos os dias. E cada dia o Senhor lhes dava o suficiente para viverem. Por isso Jesus ensinou-nos a orar assim: “O pão nosso de cada dia nos dá hoje!“ ([2]). E ainda: “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” ([3]). E Paulo acrescenta: “Porque quando estou fraco, então é que sou forte” ([4]). Sim, o Senhor é fiel em Sua palavra, podemos crer também que Ele não há de nos faltar hoje. Deus tem o poder das trevas sob o Seu controle. Não nos amedrontemos!

Vanderlei Faria

pastorvanderleifaria@yahoo.com.br

[1] Pr. Hélcio da Silva Lessa
[2] Mt 6.11
[3] Mt 6.34
[4] 1 Co 12.10

A PERDA DA LINGUAGEM

O ser humano ao longo dos anos foi perdendo aquilo chamamos de “senso do self”, ou seja, o processo desenvolvido pelo indivíduo em interação com seus semelhantes e através do qual se torna capaz de tratar a si mesmo como objeto, isto é, observar-se, considerando seu próprio comportamento do ponto de vista alheio e devido a esta perda desapareceu a linguagem de comunicados profundamente pessoais. Este é um importante aspecto da solidão vivida no mundo.

As palavras perdem o seu significado: amor, verdade, integridade, coragem, espírito, liberdade, perdão e até com o vocábulo “eu” (self). A maioria das pessoas dá as palavras conotações particulares que talvez sejam completamente diferentes das de seu vizinho. Daí muita gente evitar o uso de tais vocábulos.
Possuímos um excelente vocábulo para assuntos técnicos, segundo observou Erich Fromm, mas quando se trata de um inter-relacionament o pessoal significativo nossa linguagem torna-se pobre.
A perda da eficácia da linguagem, por estranho que pareça, é sintoma de uma época histórica conturbada.
Quando se estuda a ascensão e a queda de uma era nota-se que a linguagem é vigorosa e expressiva em determinados períodos, como o grego do século V antes de Cristo, época em que Ésquilo e Sófocles escreveram suas obras, ou o inglês elisabetano de Shakespeare e da tradução da Bíblia pelo Rei Jaime, e em outros períodos mostra-se débil, vaga e inexpressiva, como quando a cultura grega se dispersou e quase desapareceu. Penso que pesquisas poderiam demonstrar que quando uma cultura se encontra na fase histórica da evolução para a unidade, a língua reflete coesão e força; e
quando se encontra em processo de transformação, dispersão e desintegração perdem o seu vigor.

“Quando eu tinha dezoito anos, a Alemanha tinha dezoito anos”, disse Goethe, referindo-se não só ao fato de que as idéias de sua pátria estavam evoluindo para a unidade e o poder, mas que o idioma, que era seu veículo como escritor, encontrava-se no mesmo estágio.
Porque falar tanto sobre o significado das palavras quando, depois de termos aprendido a linguagem uns dos outros, temos pouco tempo e energia para nos comunicarmos?
Existem outras formas de comunicação pessoal além da palavra. Vozes dos representantes de sensibilidade de uma cultura, transmitindo significados profundamente pessoais a outros membros da mesma ou de outras sociedades, no mesmo ou em outros períodos históricos.
Encontramos nesta geração uma linguagem que não comunica. A maioria das pessoas, não compreendem praticamente coisa alguma – só conseguem comunicar-se em linguagem limitada.
Quem contempla os quadros de Rafael, Leonardo da Vinci ou Miguel Ângelo sente que a pintura lhe diz algo compreensível sobre a vida em geral e a sua própria existência em particular.
Nietzsche certa vez disse que se conhece uma pessoa pelo seu estilo, isto é, pelo padrão exclusivo que empresta unidade e singularidade as suas ações.
Qual o estilo do nosso tempo? Ao observar o ser humano em suas idas e vindas percebe-se uma tentativa desesperada de romper com a hipocrisia. Consciente ou inconscientemente procuram falar de alguma sólida realidade da auto experiência do mundo. Na busca desesperada de autenticidade, existe somente um pot-pourri de estilos.

Esse pot-pourri é um quadro revelador da desunião de nosso período. Seres humanos vazios, tão freqüentes em nossos dias, são assim como retratos sinceros da condição de nosso tempo.
Utilizam-se de diferentes linguagens para ver qual comunica, mas não encontram um idioma comum a todos. Em parte agem como um homem que ligasse o rádio de bordo em pleno oceano, tentando em vão encontrar a freqüência com a qual se comunicaria com o resto da humanidade. Mas permanecem espiritualmente isolados no mar-alto, e disfarçam a solidão tagarelando a respeito de coisas para as quais existe uma linguagem: campeonatos mundiais, negócios, telenovelas, shows, etc. As experiências mais profundas são abafadas e tendem assim tornarem-se cada vez mais vazios e solitários.
Se o ser humano ouvisse o que o Espírito diz não perderia o senso de sua identidade, pois aquele que não ouve tende também a perder o senso de relacionamento com a natureza. São privados não só da experiência da ligação com a natureza como também a capacidade de sentir empatia.
Seres humanos que se sentem vazios e por esta razão não têm a percepção do que seria uma resposta vital para compreender o que estão perdendo.
Talvez observem lamentosos, que embora outros se comovam com o pôr do sol, elas se sentem frias diante do espetáculo; e que embora outros achem o oceano majestoso e imponente, elas de pé nos rochedos da praia, quase nada sentem.

Observamos um estado de débil relacionamento com a vida. Se sentem interiormente vazias, tendo a impressão de que a natureza à sua volta está também vazia, seca, morta. Os rumores de aquecimento, invasões, violência – a comunicação feita por linguagem falsa conduz a uma perda de sentido e ao vácuo
Seres que perderam a capacidade para ver refletido na natureza a sua própria pessoa e estado de espírito, e relacionar-se com ela, considerando- a uma ampla e rica dimensão de sua própria experiência.
São as pessoas vazias e desocupadas que se apoderam das formas novas e mais destruidoras de superstição. O mundo torna-se desencantado, o que os deixa em desarmonia com a natureza e consigo mesmos.
É necessário a autoconsciência e preencher seus silêncios com a própria vida interior. É preciso um forte senso de identidade pessoal para estar no mundo sem ser por ele absorvido.
Compreender de maneira plena e realista, que este sistema de coisas jamais tem uma lágrima pela dor alheia, nem se importa com o que os outros pensem e que sua vida poderia ser engolida, que nunca foram amigos de ninguém e nem prometeram o que não poderiam dar. Que você poderia despedaçar-se no sopé rochoso sem que sua extinção como pessoa humana trouxesse a menor alteração às “paredes de granito”. É exatamente neste momento que sobrevirá o medo. Esta é a profunda ameaça do ”não ser”, “do nada”, que se experimenta em plena confrontação com o ser inorgânico.

Recorda-te que tu és pó em pó te hás de tornar!
Até quando fugirão à ameaça isolando a imaginação, voltando os pensamentos para detalhes corriqueiros como o preparar do almoço: “Marta, Marta, você se encontra tão preocupada cm todos esses serviços caseiros! Há realmente apenas uma coisa necessária com que devemos nos preocupar. E Maria descobriu o que é, e ninguém poderá tirar isso dela!” Lc 10.42.
Se protegem do terror da ameaça transformando o mar numa pessoa, que não lhes causaria mal, ou refugiam-se na crença em uma providencia individual, afirmando a si mesmos: “Israel, este é o deus que tirou você do Egito!” (referindo-se ao bezerro de ouro – Êxodo 32).
É necessário muita coragem para relacionar-se com este mundo de maneira correta. Mas afirmar a própria identidade contra este sistema de coisas produz por sua vez um “self” mais vigoroso: “Moisés viu que o povo estava desenfreado, pois Arão o deixou completamente solto. E viu Moisés que isso só podia deixar o povo de Deus envergonhado diante dos inimigos. Por isso ficou de pé na entrada do acampamento e disse: “Quem é do Senhor, venha aqui”. Logo foram para perto dele os filhos de Levi” (Ex. 32.25-26).
Acompanhamos o ser humano perdendo-se de si mesmo. Na sociedade atual pouco vemos que seja nosso – isto é sinal de personalidade débil e empobrecida.
Pense nisso!

Não pare de estudar. Descanse. Durma. Mas, depois, continue.

Regina Lopes